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quarta-feira, 21 de março de 2012

Deparar-se

Ainda logo pela manhã deparo-me com uma "chamada de atenção" quanto a certas opções. Acompanhou-me, em pensamento, ao longo do dia. E isto logo hoje, no dia em que "regresso" a uma outra actividade. Pelo caminho ouço um "menina dos caracóis", que me remeteu, imediatamente, para um tempo boémio. E lembrei-me dos cafés, da bebida na mesa, dos cigarros, das conversas sobre os livros, sobre a cultura, sobre a alma dos poetas, em suma,  sobre o mundo. E recordei aquele carinho, e até os traços no rosto daquele Senhor. Lembrei-me do "ser-se europeu" e lembrei-me de algo muito importante... Lembrei-me, e senti, aquilo que outrora sentira. No entanto, prossegui o meu caminho, sabendo, e sentindo bem lá no fundo, tudo o que realmente me importa. E este regresso tem somente uma finalidade. E o final do dia trouxe-me outro reencontro. Desta vez com uma fase de rebeldia. Surpreendentemente entre sorrisos tão espontâneos e eu, por dentro, num confronto com tantos pensamentos. E sempre com o mesmo sentimento: a finalidade.
Agora, e neste dia mundial da poesia, o conforto nas belas palavras do meu Pessoa.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Caminhos

Acordar bem cedinho para seguir pelos caminhos de Portugal, não a passeio, nem por diversão. E  alteraram-se as tarefas porque há certos serviços que não sabem cumprir horários.
E sentados à sombra, e do nada, recordámos a dança. E sorrimos.
Bem sei que é o Dia Mundial da Poesia mas apareceu-me este texto de Miguel Esteves Cardoso e não resisti em partilhar.Maravilhoso.


"O essencial é amar os outros. Pelo amor a uma só pessoa pode amar-se toda a humanidade. Vive-se bem sem trabalhar, sem dormir, sem comer. Passa-se bem sem amigos, sem transportes, sem cafés. É horrível, mas uma pessoa vai andando.
Apresentam-se e arranjam-se sempre alternativas. É fácil.
Mas sem amor e sem amar, o homem deixa-se desproteger e a vida acaba por matar.
Philip Larkin era um poeta pessimista. Disse que a única coisa que ia sobreviver a nós era o amor. O amor. Vive-se sem paixão, sem correspondência, sem resposta. Passa-se sem uma amante, sem uma casa, sem uma cama. É verdade, sim senhores.
Sem um amor não vive ninguém. Pode ser um amor sem razão, sem morada, sem nome sequer. Mas tem de ser um amor. Não tem de ser lindo, impossível, inaugural. Apenas tem de ser verdadeiro.
O amor é um abandono porque abdicamos, de quem vamos atrás. Saímos com ele. Atiramo-nos. Retraímo-nos. Mas não há nada a fazer: deixamo-lo ir. Mai tarde ou mais cedo, passamos para lá do dia a dia, para longe de onde estávamos. Para consolar, mandar vir, tentar perceber, voltar atrás.
O amor é que fica quando o coração está cansado. Quando o pensamento está exausto e os sentidos se deixam adormecer, o amor acorda para se apanhar. O amor é uma coisa que vai contra nós. É uma armadilha. No meio do sono, acorda. No meio do trabalho, lembra-se de se espreguiçar. O amor é uma das nossas almas. É a nossa ligação aos outros. Não se pode exterminar. Quem não dava a vida por um amor? Quem não tem um amor inseguro e incerto, lindo de morrer: de quem queira, até ao fim da vida, cuidar e fugir, fugir e cuidar?"

domingo, 21 de março de 2010

Poesia

No dia mundial da poesia tenho parilhar algo do meu Fernandinho. E o gajo é tão bom, mas tão bom, que até custa escolher mas aqui vai:

"Os sentimentos que mais doem, as emoções que mais pungem, são os que são absurdos - a ânsia de coisas impossíveis, precisamente porque são impossíveis, a saudade do que nunca houve, o desejo do que poderia ter sido, a mágoa de não ser outro, a insatisfação da existência do mundo. Todos estes meios tons da inconsciência da alma criam em nós uma paisagem dolorida, um eterno sol-pôr do que somos...O sentirmo-nos é então um campo deserto a escurecer, triste de juncos ao pé de um rio sem barcos, negrejando claramente entre margens afastadas."

E hoje, só porque sim, apetece-me, ainda, partilhar este poema, de António Barbosa Bacelar.

"Sinto-me, sem sentir, todo abrasado
No rigoroso fogo que me alenta;
O mal, que me consome, me sustenta;
O bem, que me entretém, me dá cuidado.

Ando sem me mover, falo calado;
O que mais perto vejo, se me ausenta,
E o que estou sem ver, mais me atormenta;
Alegro-me de ver-me atormentado.

Choro no mesmo ponto em que me rio;
No mor risco me anima á confiança;
Do que menos se espera estou mais certo.

Mas se de confiado desconfio,
É porque, entre os receios da mudança,
Ando perdido em mim como em deserto".

É tão bom saber que palavras, como estas, inspiraram, e ainda inspiram, outros tantos sonhadores, à criação de filmes, músicas, performances, e afins, que tocam outros tantos, e que, num nível mais estreito, marcam determinado momento pessoal, que muitas vezes nos interliga, sem se quer percepcionarmos isso. Uma espécie de "aldeia global", de McLuhan, mas a nível dos sentimentos.
Hoje, em particular, rendo-me aos poetas. Por isso, venha daí uma dose de melancolia.

sábado, 21 de março de 2009

Poesia

Fernando Pessoa, António Aleixo, Almeida Garret, Antero de Quental, Florbela Espanca, Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner Andersen, Alexandre Herculando, Alexandre O´neill, Teixeira de Pascoaes, Cesário Verde, Guerra Junqueiro, José de Almada Negreiros, José Régio, Eugénio de Andrade, entre tantos outros.